Juju, querida, espero que não se ofenda com a publicação desavisada.
Beijos e alfazema.
Um mini, micro, mas conto
Descobri que sou uma menina órfã. De repente, comecei a sentir falta de um chinelão de couro esparramado no tapete, um copo de uísque na ponta do braço do sofá, um jornal estendido em cima de um homem um pouco barrigudo, barba por fazer, seus cinqüenta e poucos anos. Ele me olhava dizendo, acordou cedo, filha. É, perdi o sono, pai. Aquela ternura me embriagava de uma coisa que só pai tem. Me sentia amada como jamais pudesse ser.
Por um instante desejei que minha vida fosse assim. Na verdade, aquilo era o que eu sempre quis pra mim, nos domingos de sol a mãe preparando o almoço, o cheiro de carne assada perfumando a casa, a mesa do café posta me esperando. Mas não, nunca tive e receava que fosse isso o que buscava para a minha vida, na extensão da minha própria família. As coisas não podem acontecer assim. Cada qual no seu tempo, sem pressa. Mesmo que isso ardesse os meus dias e fosse me buscar escondida, fazendo com que eu percebesse a minha verdadeira infelicidade.
Juliana Alexandrino
17/10/2008

