“Hum”. Passo o dedo sobre os móveis; poeira. O estado do lugar, há muito abandonado, quase me faz sentir culpado, mas não o suficiente para que estrague o meu dia. Digamos que após o acidente automobilístico eu resolvi dar uma relaxada, ficar mais zen, longe dos bares, das farras, por um tempo, das obrigações que não fossem extremamente necessárias. Larguei os estudos, parei de ficar até mais tarde no trabalho, visitei cachoeiras, me dei ao luxo de comprar um vinho do porto pra brindar com a minha mãe. Tudo tranqüilo. Até julho. Recebi em julho um amigo da Irlanda passando férias. Cachaça, cachaça, cachaça, alguma ressaca. A rotina era dormir tarde e acordar cedo para trabalhar, o celular no ouvido, combinando a noitada que não podia passar em branco, afinal, seriam “só” quatro semanas de estadia em solo brasileiro. De volta ao jardim de infância, seria um bom nome para um documentário que retratasse o mês de julho. A namorada demonstrou, pela primeira vez na vida, algum ciúme, logo ela, a mais linda das mulheres. Se preocupar com o quê? O tempo voa, despacho o moleque de volta pra Irlanda. Retomada a rotina, me vem uma nervosíssima, espumante, intoxicação alimentar. Tudo bem, alguns dias em casa não fazem mal a ninguém. Cai a temperatura, é agosto, meus lábios estão rachados, o céu totalmente nublado, mas não chove. Alguns quilos ainda mais magro, sorrio o dia inteiro, doido pra que as horas passem pra que o expediente acabe, pra voltar pra casa. Há uma semana ganhei uma cachorrinha, uma Golden Retriever de 50 dias, e assumi a paternidade da pequena e as responsabilidades conseqüentes com alegria. Avisei a namorada do encargo via SMS “now you’re the hottest mom ever” e a foto da pequena em anexo. Ela gostou tanto que acho que se algum dia nos separarmos vai ter briga pela custódia. E assim a vida vai indo. Metade da segunda semana de agosto e volto à rotina, aos estudos, ao blog. Espero que vocês ainda topem acompanhar isso daqui porque semana que vem tem capítulo novo da saga semi-abandonada “A Carta”. Palavra de escoteiro.
Beijo do magro!
R.
Beijo do magro!
R.


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