Passou o carnaval, passou você
Passaram pássaros em revoada
e foliões na avenida
Passaram noites, passaram dias
Passarão meses, anos talvez
Passaram lágrimas e escolas de samba
Juntos foram seus olhares, seus sorrisos
Passaram, foram passando
E eu fiquei
*um poema bêbado, as sete da manhã de uma sexta feira.
sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009
Sóbrio
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R.
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07:14
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Marcadores: as mulheres hão de acabar comigo
sexta-feira, 20 de fevereiro de 2009
Carnaval
"O amor é sexualmente transmissível"
Caso sobrevivamos ao carnaval, retomaremos as atividades normais desse boteco assim que o fígado voltar a funcionar.
Postado por
R.
às
09:34
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Marcadores: me guardando pra quando o carnaval chegar
terça-feira, 3 de fevereiro de 2009
Polly
_Ele andava meio indócil, então o tranquei no porão.
Falou com naturalidade enquanto tentava acender um cigarro. Talvez o isqueiro estivesse sem gás, talvez ela estivesse um pouco nervosa. Por mais que riscasse o isqueiro e faíscas subissem, o fogo não acendia. Tirei dois cigarros do meu próprio maço e acendi sem pressa. Deixei um na boca, passei o outro para ela. Olhei a nossa cozinha enorme, a geladeira blindex de duas portas, a louça fina, o bom gosto da decoração. Quem perderia tempo decorando uma cozinha? Eu quis comprar um pingüim para a geladeira, ela achou cafona. Eu cedi, afinal por que brigar por um pingüim? Pingüins são engraçadinhos e só. Não valia a pena. Eu sou assim, não gosto de brigas. A primeira vez que ela o trancou no porão, eu confesso, fiquei um tanto chocado. Mas eu vi o carinho nos pequenos detalhes, um colchão inflável grande para ele deitar, o seu edredon preferido, suco de caixinha em três sabores, iogurte, sucrilhos, uma tevê de 14 polegadas. Não discuti.
Ela continuava fumando, calada. Afrouxei a gravata e caminhei pela casa. Passei pela escada que leva ao segundo andar, ultrapassei a sala e seu chão de madeira nobre, encoberta por um tapete que lhe escondia a nobreza. Nunca gostei do tapete, mas por que brigar? Segui ultrapassando os corredores que levam à sala de som, à sala de vídeo, ao escritório. Tomei o cuidado de que as cinzas do cigarro não caíssem no chão fazendo uma concha com a mão e a mão de cinzeiro. Não, não queimava. Ultrapassei todo o corredor até o quintal e suas palmeiras. Eu podia ver a piscina e suas águas preguiçosas, balançando com o vento. Uma lua grande iluminava o céu. Bonito. Continuei a caminhada até uma portinhola quase escondida entre as samambaias. Uma chave pequena no meio de tantas outras maiores abriu o cadeado. Apertei o interruptor e desci com cuidado a escadinha de tábuas, abaixando a cabeça para não bater no teto baixo. Lá no fundo, os pulsos presos por correntes, uma criança de cabelos loiros caídos na testa, por volta dos seus sete, oito anos, impecavelmente limpa, piscava os olhos azuis, tentando acostumar-se com a luz. A televisão diminuta passava alguma coisa em preto e branco. Mirei os olhinhos azuis. Iguais aos meus. Foi o que disseram quando nasceu: a cara do pai. A minha cara.
O nosso filho.
Falou com naturalidade enquanto tentava acender um cigarro. Talvez o isqueiro estivesse sem gás, talvez ela estivesse um pouco nervosa. Por mais que riscasse o isqueiro e faíscas subissem, o fogo não acendia. Tirei dois cigarros do meu próprio maço e acendi sem pressa. Deixei um na boca, passei o outro para ela. Olhei a nossa cozinha enorme, a geladeira blindex de duas portas, a louça fina, o bom gosto da decoração. Quem perderia tempo decorando uma cozinha? Eu quis comprar um pingüim para a geladeira, ela achou cafona. Eu cedi, afinal por que brigar por um pingüim? Pingüins são engraçadinhos e só. Não valia a pena. Eu sou assim, não gosto de brigas. A primeira vez que ela o trancou no porão, eu confesso, fiquei um tanto chocado. Mas eu vi o carinho nos pequenos detalhes, um colchão inflável grande para ele deitar, o seu edredon preferido, suco de caixinha em três sabores, iogurte, sucrilhos, uma tevê de 14 polegadas. Não discuti.
Ela continuava fumando, calada. Afrouxei a gravata e caminhei pela casa. Passei pela escada que leva ao segundo andar, ultrapassei a sala e seu chão de madeira nobre, encoberta por um tapete que lhe escondia a nobreza. Nunca gostei do tapete, mas por que brigar? Segui ultrapassando os corredores que levam à sala de som, à sala de vídeo, ao escritório. Tomei o cuidado de que as cinzas do cigarro não caíssem no chão fazendo uma concha com a mão e a mão de cinzeiro. Não, não queimava. Ultrapassei todo o corredor até o quintal e suas palmeiras. Eu podia ver a piscina e suas águas preguiçosas, balançando com o vento. Uma lua grande iluminava o céu. Bonito. Continuei a caminhada até uma portinhola quase escondida entre as samambaias. Uma chave pequena no meio de tantas outras maiores abriu o cadeado. Apertei o interruptor e desci com cuidado a escadinha de tábuas, abaixando a cabeça para não bater no teto baixo. Lá no fundo, os pulsos presos por correntes, uma criança de cabelos loiros caídos na testa, por volta dos seus sete, oito anos, impecavelmente limpa, piscava os olhos azuis, tentando acostumar-se com a luz. A televisão diminuta passava alguma coisa em preto e branco. Mirei os olhinhos azuis. Iguais aos meus. Foi o que disseram quando nasceu: a cara do pai. A minha cara.
O nosso filho.
Postado por
R.
às
09:06
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Marcadores: mais um texto apressado, o que não é a psicose, pra espantar as traças que rondam o blog
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